Notícias

Rodrigo Oliveira   I   18.01.2019   I   17:25:12

Entrevista com o Secretário Municipal de Agropecuária e Turismo de Arantina, Júlio Lacerda

INFORMAÇÕES

PREFEITO:

FRANCISCO CARLOS FERREIRA ALVES

 

PARTIDO:

DEMOCRATAS

 

ADMINISTRAÇÃO:

2017-2020

VICE-PREFEITO:

CARLOS ADRIANO DE CARVALHO

 

ENDEREÇO:

RUA JUCA PEREIRA, Nº 31, CENTRO, ARANTINA, MINAS GERAIS, CEP 37.360-000

 

TELEFONE:

(32) 3296-1215

FUNCIONAMENTO:

SEGUNDA À SEXTA

08H ÀS 12H E 13H ÀS 17H

NOTÍCIAS ANTERIORES

Em sua sala, na antiga Estação Ferroviária de Arantina, o Secretário Municipal de Agropecuária e Turismo, Júlio Lacerda, após entrevista. Ao lado, o amigo e parceiro de trabalho, Valdecir.

Conversamos com o Secretário Municipal de Agropecuária e Turismo de Arantina, Júlio Lacerda, responsável pela secretaria desde 2017. Em sua sala, que ocupa um dos cômodos da antiga Estação Ferroviária da cidade, ele nos falou dos trabalhos relacionados à sua pasta de trabalho durante o ano de 2018. Entre conquistas e objetivos, Júlio mantém o otimismo para com o futuro e espera que novas ações de esferas superiores de governo, em 2019, possam normalizar os repasses financeiros bastante reduzidos e que muito contribuíram para o apuro financeiro de muitos municípios mineiros em 2018. Contudo, acredita que esperar só não basta, mas que é preciso trabalhar para buscar recursos além das fronteiras municipais e que a mudança que todos querem ver começa pequena e acontece sempre de dentro para fora. Confira a entrevista completa.

 

Júlio, que ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Agropecuária e Turismo, em 2018, você poderia destacar?

São diversas. Por exemplo, em 2018, nós conseguimos junto à Emater-MG [Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais] a doação de um kit feira composto por dez barracas, vinte caixas plásticas para transporte de verduras e vinte jalecos para serem usados pelos produtores rurais. Inclusive, o processo para que pudéssemos receber a doação desse kit foi bastante criterioso, exigindo, por exemplo, aprovação, na Câmara Municipal, de lei autorizando a realização de feira livre no município, bem como a criação e a discussão de seu regulamento que é feito de forma bastante técnica e criteriosa.

Esse kit feira, que veio através de um programa do Governo Estadual chamado “Minas Sem Fome” e é coordenado pela Emater-MG, foi uma grande vitória de todo o município porque envolveu diversas forças tanto do Executivo quanto do Legislativo em um verdadeiro trabalho de equipe muito grande que demandou várias visitas a Belo Horizonte, inclusive. Então, posso dizer que, quando todos nós no município “remamos” para o mesmo lado, o barco vai para frente.

Quando esta feira irá acontecer?

A feira de produtores rurais deverá acontecer mensalmente, aos Domingos, e neste mês de janeiro será no dia 20, próximo Domingo. O objetivo dela é estimular os produtores rurais do município tanto para criar novos produtos quanto para vender o que eles já produzem, valorizando e diversificando a produção rural em Arantina.

Que outras ações mais você considera importante?

Também conseguimos um kit de inseminação artificial para bovinos através dos esforços da Secretaria de Agropecuária e Turismo e, por conta disso, já criamos um programa de melhoramento genético para o nosso gado. O kit é composto por um botijão contendo 60 doses de sêmen e foi adquirido por meio de um convênio celebrado entre a Prefeitura de Arantina e a Emater-MG.

Também por meio de convênio com a Emater-MG, realizamos diversos atendimentos agendados a produtores rurais do município, todas as quintas e sextas-feiras, com a presença do técnico da Emater-MG. Durante essas visitas, realizadas nas propriedades dos produtores, o técnico observa, corrige o que está sendo feito de forma errada e dá consultoria, por exemplo, qual cultura é mais apropriada para determinado solo, etc. Esse convênio, aliás, em minha opinião, deve ser mantido sempre porque a cidade ganha muito.

Além disso, através desse mesmo convênio, conseguimos diversas mudas frutíferas e aves [pintinhos] que puderam ser adquiridos pelos produtores rurais com valores bastante reduzidos em relação ao preço cobrado no comércio. Alguns itens, por exemplo, chegaram a uma redução de 50% para o produtor rural.

Em agosto, realizamos mais uma edição do Torneio Leiteiro e que novamente foi um sucesso. O torneio é uma competição leiteira que envolve diversos produtores rurais do município e é realizado para promover a interação e a confraternização do homem do campo. Além da competição leiteira em várias categorias, também fizeram parte do evento os shows que animaram o grande público presente.

E como a Secretaria Municipal de Agropecuária e Turismo enfrentou a situação financeira crítica do estado de Minas Gerais, em 2018?

Ela não nos afetou tanto aqui porque as necessidades desta secretaria já estavam previstas dentro do orçamento do ano, mas ficamos meio engessados para criar novos projetos. O SIM [Selo de Inspeção Municipal], por exemplo, é algo que pretendemos criar, mas requer investimentos por parte do Executivo e nós sabemos que o momento não é agora por conta da situação financeira. O que precisamos – e é o que pretendemos fazer – é aguardar o que tem sido falado: que os recursos federais e estaduais, destinados aos municípios, serão colocados em dia em 2019. Se isso acontecer, teremos um ano com novos projetos, mas sabemos que isso dependerá da situação na qual o país irá se encontrar.

Conseguimos, em 2018, fazer bastante coisa mesmo com a limitação dos recursos da Prefeitura. Recuperamos um grande número de estradas rurais, como as localizadas na comunidade rural do Espraiado, por exemplo. Atualmente, o trabalho de recuperação de estradas já não está mais a cargo desta secretaria, sendo agora responsabilidade da secretaria de obras.

As ações voltadas para o turismo estão a cargo desta secretaria. O que foi feito de relevante em 2018 relacionado ao turismo?

Quanto ao turismo, nós temos uma consultoria e conseguimos realizar, por exemplo, o inventário dos pontos turísticos de Arantina. Com isso, vencemos uma barreira muito grande que era a crença de que aqui em Arantina não havia nada de turismo. Pelo contrário, temos uma série de cachoeiras, vários lugares de visitação que já cadastramos e também um circuito de festas que é bastante interessante.

Realizamos um curso de formação de condutores ambientais e formamos oito pessoas do município, inclusive com certificado da EMBRATUR. Recentemente, efetuamos a inclusão do município de Arantina no circuito turístico da Serra do Ibitipoca, o que nos habilitou a receber os recursos do ICMS turístico já para o ano de 2019. Isso se traduz em aumento de receita para o município por ter cumprido uma série de exigências, entre elas, estar inserido em um circuito e ter um conselho constituído com realização de reuniões mensais. Só para ressaltar, é importante que todas as pessoas da comunidade participem desse conselho para contribuir com idéias, discutir ações, etc.

Além disso, também elaboramos um folder com os roteiros turísticos, as atrações, as cachoeiras, os restaurantes e os hotéis. Ele está bastante completo e temos distribuído em vários lugares com boa repercussão.

Há outros investimentos para promover o turismo além das atrações naturais e das belezas cênicas?

Sim. Através do circuito da Serra do Ibitipoca, obtivemos a denominação de origem controlada para um queijo produzido aqui em nossa região. Da mesma forma que existe o queijo canastra, por exemplo, que só é produzido em oito municípios da Serra da Canastra, nós temos aqui agora o queijo da Serra do Ibitipoca que tem tudo a ver com as características de nossa região. E esse será o nosso grande trabalho para 2019 junto com a obtenção do SIM e a criação da cadeia de produção para este queijo específico.

Através do SENAR-MG [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-Minas Gerais], realizamos alguns cursos, como nesse último mês, sobre produção de queijos. Se eu consigo que um produtor rural produza mais leite e também um queijo de boa qualidade, nós vamos ter mais renda na mão do produtor rural e essa renda tende a ficar toda aqui no município.

Como este queijo pode melhorar a renda do produtor rural e, conseqüentemente, a do município?

O objetivo é termos um produto com maior valor agregado, melhoramento genético, mais assistência técnica e a feira do produtor rural para que esse queijo seja vendido. Ainda não chegamos ao final desse ciclo, mas estamos na metade do caminho. Precisamos produzir leite de mais qualidade e estamos nos empenhando nisso.

Você acredita que uma visão diferente voltada para diversificar a renda e melhorar a vida do homem do campo pode fazer a diferença?

Eu acho que a atuação mais importante de um secretário numa cidade como Arantina é buscar fora os investimentos para podermos realizar alguma coisa ao invés de ficarmos aqui só atendendo a demanda local. Por exemplo, eu poderia ficar aqui atendendo e visitando produtores rurais, porém eu consigo muito mais durante uma semana em Belo Horizonte do que um mês ficando aqui em Arantina. Isso, às vezes, é difícil de ser entendido pelas pessoas e, para muitos, parece que estou só viajando ou passeando, quando, na verdade, não é nada disso.

Daí a importância de se ter um secretariado como temos hoje, em minha opinião, com bom nível e bem preparado para sair daqui e visitar deputados seja em Brasília ou Belo Horizonte para buscar os recursos que nosso município necessita. Até porque, ficar só aqui e fazer apenas o “feijão com arroz” é uma maravilha e muitos irão te adorar por fazer pequenos serviços aqui e acolá. Por outro lado, por exemplo, o botijão de sêmen para melhoramento genético do qual falei antes me custou três idas a Belo Horizonte, mas pode mudar o rumo de um produtor rural para o resto de sua vida se ele perceber que seu rebanho pode, em pouco tempo, dobrar a sua renda de leite ou ele próprio, o produtor rural, mudar de atividade, por exemplo.

Como você avalia então o ano de 2018 e o que você espera para 2019?

Eu avalio que 2018 foi um ano muito positivo em relação à agropecuária. Quanto ao turismo, creio que caminhamos de forma ainda mais positiva. Eu tenho a esperança que 2019 será muito melhor e que nós vamos conseguir realizar muito mais coisas. Acredito nisso porque o Cacá [Francisco Carlos Ferreira Alves] é um prefeito que dá carta branca para que seus secretários realizem as coisas. Nós temos um lugar onde podemos levar nossas idéias e elas são bem aceitas. Como secretário, posso dizer que sempre tive as portas abertas. Prova disso, posso dizer, é que sou filiado em um partido que não é o dele [do prefeito], mas mesmo assim ele me convidou para fazer parte de seu governo.

Temos que ter a mentalidade que as mudanças acontecem em um mundo micro. Eu apenas mudo o mundo a partir da minha casa, não a partir do mundo. Nossas mudanças acontecem de dentro para fora.

 

Informações complementares:

Atendimentos da Emater-MG durante o ano de 2018, no município de Arantina:

Agricultura Familiar – 183

Agroecologia – 13

Aves – 1294 (unidades)

Mudas – 406 (unidades)

Oleocultura, Fruticultura e Pequenos Animais - 51

Cadeia bovinocultura – 124

Comércio e gestão – 16

Erradicação de pobreza – 44